A cultura clubber paulista já está tão inserida nas manhãs adentro que o termo
after hours
em si já não tem o mesmo tempo da época do primeiro Hell's Club. Hoje
em dia o comum é qualquer festinha terminar lá pelas seis, sete da
manhã - animou, vai até as dez! Mas um after completa dez anos agora do
tempo que ainda era bacana sair de casa só para esses vampirescos
eventos diurnos: o Paradise, comandado pelo DJ/promoter Oscar Bueno e
que já passou por vários clubes simbólicos de São Paulo.
Do
começo itinerante em 98, a festa passou pela Loca, Disco Fever e uma
edição diurna em um ateliê. "Essa foi super produzida e chamou a
atenção dos responsáveis na época pelo Lov.e Club, que nos abrigou por
quatro anos", lembra o próprio Oscar. Para uma juventude emergente (e
para outros clubbers não tão precoces a ponto de ir ao Hell's), o
Paradise no Lov.e foi o começo de uma vida noturna produtiva e
inesquecível em São Paulo, capitaneado pelo binômio house+techno e pela
aura underground

(com tudoque isso possa dizer, de diversão a jamantice química).
Fora
o Lov.e, Oscar levou o after à SoGo, Inferno, Level, Dama de Ferro e
Fosfobox (Rio) e até para empreitadas internacionais em Amsterdã
(http://rraurl.uol.com.br/cena/3295/). Depois do Lov.e, a festa "se
firmou no Stereo, que depois iria se transformar no D-Edge -
acompanhamos todas essas mudanças e já estamos por lá há cinco anos",
lembra novamente Oscar, personagem do
CASE desta semana.
Oscar, conte como surgiu a idéia do Paradise - como era sua participação na noite àquela época e como foi a primeira festa.Sou
festeiro desde que me conheço por gente, peguei no final da década de
70 as grandes discotecas como Papagaio's, Banana Power, Tamatéte e
Regine's. Eu era muito novo e falsificava o documento para poder entrar
nas matinés. Já na década de 80 freqüentava o underground e passeava
por clubes como Madame Satã e Cais.
No começo dos anos 90 o
Sra. Krawitz e a Nation. Sempre me interessei por e-music e, claro, fui
um dos que pirou com o som do Mau Mau no Hell's. Quando o único after
de São Paulo começou a entrar em decadência, no final de 97, senti que
era o momento de criar algo fresco. Na época as pessoas estavam um
pouco fartas do techno que imperava nas pistas underground e abraçaram
a idéia de um som mais deep, menos pesado e mais up, um after-hours com
house music. Nascia o Paradise.
E quais foram as noites e convidados mais memoráveis, na sua opinião? Tenho
lembranças incríveis do Lov.e, mas acho que no D-Edge foi quando o
after atingiu seu clímax. Afters memoráveis como o do Nokia Trends com
Tiefschwarz e Ellen Allien e o pós Skol Beats com Sven Väth para mim
estão entre os melhores. Claro que não posso deixar de mencionar o
after com o lendário Underground Resistence, uma manhã histórica!
Lembro
que antes os flyers do Paradise sempre assinalavam HOUSE - TECHNO,
depois adicionaram o electro, e hoje em dia o minimal. Como se deu esse
'approach' com as tendências latentes de cada época? Na
verdade sempre trabalhamos com eletrônica underground que vai do house
ao techno, tentamos mostrar através da variedade de DJs que convidamos
tudo que se tem feito de novo dentro desse parâmetro. Isso engloba
electro, minimal, techhouse, deep e outras vertentes que podem surgir.
A festa se mantem porque se recicla e não tem medo de inovar.
Conte um pouco mais de quando você passou de promoter para DJ.Comecei
a tocar em 2000 quando tinha participação no Stereo. Cada sócio era
residente de uma noite, e a minha era a CIO da Glaucia ++, noite que
toco até hoje. Tocava música dos anos 80 e começar a esboçar o
"electro" foi muito natural. Me inspirei em DJs como Mauricio Lopes e
Magal.
Você lembra de dois ou três hits lá do começo do Paradise?Para
ser sincero não lembro de hits, mas lembro de produtores que faziam
nossa cabeça, como o Terry Lee Brown Jr. que tocou no Paradise @ Lov.e.
UR @ Paradise (Dez/2007)

E uma música famosa no tempo do Paradise no Lov.e."The Groove is going", Lady B.
Agora outra que você toca com freqüência no D-Edge."Charlotte", do Booka Shade, remix do DubFire.
Quando
vocês pegam a pista vindo da noite anterior ao after, há sempre a
iniciativa de mudar o som para marcar o início do Paradise, ou vocês
seguem o clima da festa?Tudo depende do que está rolando e
como está o clima, às vezes é muito bom parar e começar tudo diferente,
mas às vezes está tão boa aquela freqüência que vale a pena se esforçar
para mantê-la.
Qual é o tipo de música (ou alguma
música/artista em específico) que é perfeita para segurar aqueles que
já estão desistindo da vida eletrônica?Bom talvez essa seja a eterna e utópica procura pelo beat perfeito, quem sabe em mais 10 anos posso te responder.