Faz 3 anos que mudei para Campinas - vim de mala, cuia e cachorro para morar com meu namorado, e minha vida foi tomada por um turbilhão de acontecimentos. Deixei meu trabalho de 7 anos no Lov.e Club - isso não sem pesar e chororô - e meu papel no novo Clube Kraft foi tomando forma.
Quando cheguei aqui, o Kraft havia fechado suas portas para entregar o prédio cujo porão abrigava o clube e esse hiato durou exatos 6 meses. O que hoje é um supermercado, há 3 anos atrás era o pioneiro da música eletrônica em Campinas e região, o clubinho que eu gostava tanto de vir tocar, por causa de sua pista animadíssima, e por querer apoiar esse trabalho cheio de raça dos então donos do Kraft.
E como é preciso raça. Olhando de perto, trabalhando por aqui, dá para sentir na pele as alegrias e as dificuldades em fazer festas em Campinas - e há um preço a se pagar ao manter-se fiel ao que acredita.
Em uma cidade de 1 milhão de habitantes, é difícil acreditar que um rodeio na cidade vizinha seja concorrência, mas como um grande lembrete de que estamos no interior de São Paulo, vira e mexe, aprendo a duras lições que o segredo está no equilíbrio entre o que é moderno e vanguarda, e o que o nosso público gosta. O que me faz dormir tranquila é que, as duas pontas estão cada mais próximas e ao longo desses últimos 5, 6 anos, tanto o Kraft quanto festas como a Kaballah, tiveram um papel fundamental na formação de uma cena local e na educação musical de uma massa jovem que consome música eletrônica de qualidade.
Em setembro, o Kraft comemora mais um ano de vida, e como é saboroso celebrar os 6 anos do clube. Tem uma lista gigantesca de artistas que passaram por nossa cabine, que em seu humilde começo nunca se imaginaria que eles se apresentariam no nosso palquinho - de Anthony Rother e David Carretta a Mauro Picotto, de D-nox a Tim Healey, de Chris Liebing a John Acquaviva, assim como nomes como Paul Kalkbrenner, Marc Houle e Magda, além de todos os grandes artistas nacionais como Gui Boratto, Mau Mau, Renato Cohen, Murphy e Anderson Noise. O inferninho campineiro se tornou destino certo de alguns dos melhores artistas da atualidade e muita história rolou na caixinha preta, como é carinhosamente chamada por seu público fiel.
Uma programação intensa durante todo mês foi planejada com muito carinho - eu, como a sócia responsável pela direção artística do Kraft, fui organizando tudo com cuidado, visualizando as grandes noites que estão por vir - e cada convidado foi escolhido por sua relação com o clube, artistas que foram peças fundamentais para algumas das melhores festas nessa intensa e apaixonada história de 6 anos, e de alguma maneira, esperamos que o Kraft tenha influenciado de uma forma positiva suas carreiras.
Em primeira mão, uma palhinha do vem por aí: Gui Boratto, Anthony Rother, Pig & Dan, Adam K, Wrecked Machines, Mau Mau e Murphy juntos, Cosmic Force e mais um line up caprichado de talentos locais - porque Campinas e região se tornou um celeiro de novos artistas e temos muito orgulho do papel catalisador que o Kraft tem ao inspirar e movimentar gente incrivelmente criativa que esperamos ganhar o mundo e as estradas Brasil afora.